sexta-feira, 4 de maio de 2018

Início » ‘Teto dos Gastos’ vai levar à inviabilização das federais: ‘ou cobram mensalidade ou fecham’, diz professor ‘Teto dos Gastos’ vai levar à inviabilização das federais: ‘ou cobram mensalidade ou fecham’, diz professor


uís Eduardo Gomes
Se não for revertida, a Emenda Constitucional 95 — a chamada PEC do Teto dos Gastos — terá como resultado a inviabilização do ensino superior público no Brasil. Essa foi a leitura do professor Gil Vicente Reis Figueiredo, da Universidade Federal de São Carlos, que fez a palestra principal da conferência “EC 95: O Colapso da Pesquisa e da Educação no Brasil”, realizada em Porto Alegre nesta quinta-feira (3) e promovida pela Adufrgs (Associação de Docentes da UFRGS) e pela Proifes (Federação de Sindicatos de Professores e Professoras de Instituições Federais de Ensino Superior e de Ensino Básico Técnico e Tecnológico). Ele destacou que o investimento público na área está regredindo a patamares de 2010 e que, se nenhuma medida contrária for tomada, as universidades não terão outra alternativa a não ser passar a cobrar mensalidades.
Gil Vicente abriu sua palestra destacando que, a partir da implementação da emenda constitucional 95, o percentual do PIB brasileiro que vai para a educação está voltando a patamares na década passada. Ele apontou que, em 2000, 4,5% de todo o produto nacional era investido em educação. Em 2014, esse percentual chegou aos 6% e, de acordo com o Plano Nacional de Educação, aprovado naquele ano, deveria chegar a 10% em 2015. Contudo, o último dado disponível aponta para recuo para a casa dos 5,5%, mesmo patamar de 2010.
Ele afirma que, como consequência da aprovação da EC 95, a projeção é que, entre 2016 e 2026, os gastos do governo federal com pagamentos de juros e encargos da dívida subam de 3,5% para 6,5% do PIB. Por outro lado, com o congelamento dos gastos em áreas sociais e sua limitação à reposição da inflação, essas áreas devem passar de 8% para representar apenas 5,5%
O professor destaca que, como é difícil comprimir ainda mais os já escassos gastos sociais, o resultado será uma forte pressão sobre os investimentos nas universidades, que, na verdade, já vem ocorrendo nos últimos anos. Em 2015, o orçamento de todas as universidades federais somadas foi de R$ 13 bilhões. Em 2017, esse valor caiu para R$ 8,7 bilhões e a previsão para este ano é que sejam gastos R$ 5,9 bilhões, menos da metade do despendido há três anos. O mesmo cenário se repete para os institutos federais, com queda de R$ 7,9 bilhões, em 2015, para R$ 2,8 bilhões neste ano. Segundo sua apresentação, a redução dos investimentos em pesquisa, ciência e tecnologia chega a 60% em cinco anos.
“Imagina um curso de Medicina que começou há dois anos. Como é que você continua? As pessoas têm que estar no terceiro, no quarto, quinto ano, e onde estão os professores que deveriam ser contratados? Não estão. Em todo esse processo de expansão, que é truncado abruptamente, ele gera uma descontinuidade que é um desastre completo”, afirma. “Como é que você vai dar bolsas compatíveis que as pessoas precisam se você de repente corta o número de bolsas, diminui o valor numérico dessas bolas? Você não resolve esses problemas a menos que você diga: ‘Não é mais inconstitucional dar recursos para as áreas sociais. Se a gente não mudar isso, não tem futuro a educação. As universidades vão ter que discutir o que a grande imprensa já tá falando, estudantes vão ter que pagar. A mesma velha história que os setores reacionários sempre disseram”, complementou.

sul21

A alta do dólar deve aumentar os preços da gasolina, dos alimentos e dos eletroeletrônicos: os economistas já preveem um impacto de mais 0,5% na inflação brasileira


A alta do dólar deve provocar aumento de preços de combustíveis, alimentos e eletroeletrônicos e economistas já preveem impacto de até mais 0,5 ponto percentual no resultado fechado do ano da inflação, cujas previsões giram em torno dos 3%. Isso se a cotação da moeda americana se mantiver no patamar atual, nas casa dos R$ 3,50 – valorização de quase 11% em relação ao início do ano ou mais R$ 0,30. Mas, ainda que o movimento seja de alta, os analistas não veem risco de descumprimento da meta estabelecida pelo BC (Banco Central), que é de um IPCA de 4,5% para 2018.
“É claro que, apesar da demanda fraca, se o dólar se consolidar num patamar mais alto, os R$ 3,50 ou pior, em função do cenário externo e da incerteza política tivermos novas desvalorizações, as projeções para o IPCA tendem a subir, pelo menos bem mais do que as projeções indicavam antes. Ou seja, o tal do ‘novo’ normal de IPCA de 3%, infelizmente já era”, avalia Luiz Roberto Cunha, economista da PUC-Rio.
Segundo os economistas, o impacto mais imediato deve ocorrer no preço da gasolina, já que a Petrobras revisa diariamente os valores cobrados nas refinarias, considerando, entre outras variáveis, o câmbio e o preço do barril de petróleo no mercado internacional, que também tende a crescer com a valorização da moeda americana. Os preços do milho e da soja, cotados no mercado externo, em dólar, também devem sofrer reajustes e impactar seus derivados, como pães, biscoitos, macarrão, óleo e ração animal. Produtos que têm componentes importados em sua fabricação, como eletroeletrônicos, também podem sofrer aumento de preços. À exceção da gasolina, os demais preços só devem aumentar no segundo semestre, porque ainda estão sendo escoados produtos sob a vigência do câmbio mais baixo do primeiro trimestre.
“Não fosse o embargo à exportação de frango brasileiro, também teríamos aumento de preços das carnes, mas com a oferta maior no mercado interno, não vamos sentir o efeito dólar, mesmo com a ração animal encarecendo”, ressalta Luis Otávio Leal, economista-chefe do Banco ABC, complementando que, com esses aumentos, o IPCA pode chegar a 3,60% este ano, 0,40 pontos percentuais maior do que a previsão atual do banco.
Alessandra Ribeiro, da Consultoria Tendências, diz que, se o dólar estabilizar no patamar atual, a inflação pode saltar de 3,7%, previsão atual para o ano, para 4,2%.
“Para industriais que exportam é uma boa notícia, mas para a ala da indústria que consome insumos importados e máquinas e equipamentos, que vem crescendo, isso pode ser um freio. Então, a notícia não é tão boa para os investimentos”, complementa a economista.
Segundo os analistas, a pressão inflacionária só não será maior porque o IPCA acumulado em 12 meses está muito abaixo da meta atualmente, em 2,68%, ou seja, tem uma boa folga em relação à meta de 4,5% do BC. E a atividade caminha a passos lentos, assim como o consumo das famílias, freando repasses maiores aos preços.
“Esse susto do dólar é pior em termos de crescimento econômico porque mina a confiança dos agentes econômicos. Ao dar uma sensação de que as coisas não estão bem, restringem consumo e investimentos. O impacto psicológico é maior do que o que será sentido no bolso. Até porque está certo que haverá mais um corte da Selic (taxa básica de juros), de 0,25 (pontos percentuais, para 6,25% ao ano)” diz Leal.

osul

O Supremo decidiu por unanimidade reduzir o foro privilegiado para deputados e senadores: serão investigados apenas os crimes ocorridos durante o mandato


O STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu na quinta-feira (3) reduzir o alcance do foro privilegiado de deputados e senadores somente para aqueles processos sobre crimes ocorridos durante o mandato e relacionados ao exercício do cargo parlamentar. Com a decisão, deixarão o Supremo Tribunal Federal parte dos cerca de 540 inquéritos e ações penais em tramitação, segundo a assessoria do STF.
Caberá ao ministro-relator de cada um desses inquéritos ou ações analisar quais deverão ser enviados à primeira instância da Justiça por não se enquadrarem nos novos critérios.
O foro por prerrogativa de função, o chamado “foro privilegiado”, é o direito que têm deputados e senadores – entre outras autoridades, como presidente e ministros – de serem julgados somente pelo Supremo. Atualmente, qualquer ação penal contra esses parlamentares, mesmo as anteriores ou as não relacionadas ao mandato, são transferidas das instâncias judiciais em que tramitam para o STF.
Durante o julgamento, que começou em maio do ano passado, os ministros também fixaram o momento a partir do qual uma ação contra um parlamentar em tramitação no STF não pode mais sair da Corte: na hipótese de ele deixar o mandato numa tentativa de escapar de uma condenação iminente, por exemplo.
Pela decisão, o processo não deixará mais o STF quando se alcançar o final da coleta de provas, fase chamada “instrução processual”, na qual o ministro intima as partes a apresentarem suas alegações finais. Assim, se um político que responda a processo no STF (por ter cometido o crime no cargo e em razão dele) deixar o mandato após a instrução, por qualquer motivo, ele deverá necessariamente ser julgado pela própria Corte, para não atrasar o processo com o envio à primeira instância.
Divergências
Durante o julgamento, surgiram três posições:
Uma, apresentada pelo ministro Luís Roberto Barroso, de restringir o foro privilegiado de deputados e senadores aos crimes cometidos no exercício do mandato e relacionados ao cargo. Sete ministros aderiram a essa posição (Barroso, Luiz Fux, Edson Fachin, Cármen Lúcia, Celso de Mello, Rosa Weber e Marco Aurélio Mello).
Outra, do ministro Alexandre de Moraes, de manter no STF todos os processos de crimes cometidos por deputados e senadores durante o mandato mesmo que não tenham relação com o cargo. Dois ministros ficaram com essa posição (o próprio Alexandre de Moraes e Ricardo Lewandowski).
Uma terceira, a partir de um ajuste do voto do ministro Dias Toffoli, prevê estender a todas as autoridades que tenham prerrogativa de julgamento em instâncias superiores – e não só a deputados e senadores – a restrição ao foro privilegiado. Além de Toffoli, Gilmar Mendes também se manifestou a favor dessa posição.
O julgamento começou em maio do ano passado, foi interrompido duas vezes e retomado nesta semana, com duas sessões, na quarta-feira (2) e na quinta-feira (3).
osul

quarta-feira, 2 de maio de 2018

Conselho de Ética decide andamento de processo contra João Rodrigues


O futuro do deputado federal catarinense João Rodrigues (PSD) na Câmara terá mais um capítulo decisivo nesta quarta-feira, quando o Conselho de Ética da casa se reúne para discutir e votar o parecer preliminar do processo por quebra de decoro movido contra ele. Rodrigues está preso desde o último dia 8 de fevereiro e atualmente cumpre pena no Complexo Penitenciário da Papuda, no Distrito Federal, mas seu mandato ainda é considerado válido, o que garante direito a receber salário e verbas para o gabinete. 
O relator do processo, deputado Ronaldo Lessa (PDT-AL), já se manifestou pela continuidade da representação. Ele apontou que a conduta de Rodrigues, em tese, configura afronta ao decoro parlamentar e argumentou que é preciso ampliar a discussão sobre o caso. 
Se o conselho decidir pela admissibilidade da representação, o processo terá continuidade, com abertura de prazo para manifestação de testemunhas e apresentação de provas. Para o deputado, o pior cenário seria a cassação do mandato ao fim do processo.
Fora da esfera legislativa, João Rodrigues também aguarda julgamento de recurso no Supremo Tribunal Federal (STF). Foi por determinação do próprio STF que o parlamentar teve a prisão decretada em fevereiro. A pena de cinco anos e três meses de reclusão em regime semiaberto havia sido imposta pelo Tribunal Regional Federal (TRF-4) por fraude e dispensa de licitação quando era prefeito de Pinhalzinho (SC).
O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse na segunda-feira que pretende chamar nos próximos dias o suplente de Rodrigues, mas para isso aguarda o julgamento do recurso na Justiça. Enquanto isso, as atividades no gabinete de João Rodrigues continuam. Dados de acesso público mostram que houve uso de cota parlamentar entre março e abril, apesar de serem valores inferiores aos de fevereiro. 
O salário recebido referente à folha de março também teve desconto devido às faltas nas sessões. A prisão do deputado também não impediu a liberação de emendas entre março e abril, com mais de R$ 800 mil em recursos carimbados para urbanismo, saúde e educação. Segundo a assessoria de imprensa do parlamentar, os trabalhos são coordenados pelo chefe de gabinete, que delibera ações junto ao deputado nas visitas à Papuda. 
SALÁRIOS RECEBIDOS (líquido)Folha de fevereiro R$ 25.053,69
Folha de março R$ 9.754,84 
COTA PARLAMENTAR USADAFevereiro R$ 9.078,01
Março R$ 1.192,46
Abril R$ 855,07
EMENDAS PARLAMENTARES DISTRIBUÍDAS (valor pago)Março R$ 326,7 mil
Abril R$ 490,5 mil
DESTINO DAS EMENDASUrbanismo R$ 590,7 mil
Saúde R$ 165,1 mil
Educação R$ 61,5 mil

nsctotal