sexta-feira, 23 de março de 2018

Luz acaba durante a entrevista do ministro da Energia sobre o apagão


A vida não parece estar fácil para o ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho. Na manhã desta quinta-feira (22), quando explicava a jornalistas após palestrar num evento no Rio que a energia nas regiões Norte e Nordeste já tinha sido normalizada na noite de quarta-feira, teve que enfrentar diversos piques de luz. A energia do centro de eventos onde estava, no bairro Cidade Nova, chegou a cair por alguns segundos, retornando logo em seguida.
A coincidência chamou a atenção dos presentes ao evento, e provocou risos entre os repórteres que cobriam o seminário. O ministro, no entanto, não fez comentários sobre o incidente e demonstrou indiferença.
Coelho Filho classificou o apagão como “de magnitude bastante elevada” ao justificar a falha ter desabastecido alguns Estados por até 5 horas. “Mas soube de regiões do Norte em que o problema foi restabelecido em uma hora, uma hora e meia”, disse.
Ao todo, 12 Estados do Norte e do Nordeste ficaram sem luz nesta quarta-feira. O maior período de falta de luz ocorreu na Bahia, Estado que teve problemas no abastecimento por quase cinco horas (das 16h10min às 21h). O problema também demorou a ser solucionado no Ceará, que ficou três horas e quarenta e cinco minutos sem luz (das 17h15min às 21h), segundo o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico).
O motivo
Segundo o governo, o motivo para o apagão foi uma falha técnica ocorrida na linha de transmissão da concessionária Belo Monte Transmissora de Energia, no Estado do Pará. Especificamente uma falha técnica em um disjuntor de uma das estruturas de transmissão localizada na subestação Xingu, que recebe a energia da hidrelétrica de Belo Monte, para que esta seja transmitida para a região Sudeste do País.
A queda, segundo a ONS, ocorreu por conta de erro na calibração do disjuntor, equipamento que faz o controle automático da energia que passa pela linha. O componente estava calibrado para receber até 3.700 megawatts (MW) de potência, em vez de mais de 4 mil MW, como deveria. Nesta quarta-feira, quando a transmissão atingiu esse volume limite, o disjuntor simplesmente caiu, paralisando o resto da rede.
A linha de 2,1 mil quilômetros (km), operado pela concessionária Belo Monte Transmissora de Energia (BMTE), controlada pela chinesa State Grid, entrou em operação em 13 de dezembro do ano passado, antecipando o cronograma original em dois meses. Nas últimas semanas, porém, a linha apresentou quedas e comprometeu o abastecimento de toda a hidrelétrica em construção no rio Xingu, no Pará.
A linha de transmissão, que custou cerca de 5 bilhões de reais, tem início no município de Anapu, no Pará, a 17 quilômetros de distância da usina, e corta 65 municípios de quatro Estados – Pará, Tocantins, Goiás e Minas Gerais –, até chegar ao município de Estreito, na divisa de Minas e São Paulo. Os problemas têm ocorrido com alguma frequência e já eram alvos de questionamentos pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica).
O efeito dominó na queda de energia ocorre porque a rede de Belo Monte está conectada ao Sistema Interligado Nacional, o qual conecta todos os Estados do País, com exceção de Roraima, o único que está fora dessa rede. A concessionária Norte Energia, dona da hidrelétrica de Belo Monte, descumpriu 23 medidas técnicas de segurança que tinham o propósito de evitar desligamentos de suas operações. O não atendimento às exigências levou a Aneel a notificar a concessionária há menos de um mês, no dia 23 de fevereiro.
osul

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